Cor Unum in Patre em todos momentos!

Olá, sou a Maria Clara, da Jufem de Santa Maria e estudante de Medicina do segundo semestre. Venho falar sobre a minha relação com o Pe. José Kentenich.

Como ele chegou a ser não só chamado, mas também experimentado como Pai por mim?

Os caminhos de Deus são perfeitos e por eles regresso um pouco agora. Desde o início da minha vida tive a presença da imagem do Pe. Kentenich como alguém a ser admirado. Não entendia bem quem era, mas meus pais gostavam muito dele então ele devia ser um velhinho legal, não é? Um fato engraçado é que na minha casa, quando perdíamos os dentes, não os deixávamos debaixo do travesseiro esperando a fada do dente como as outras crianças, senão que os deixávamos na “mão do Pai” do nosso Santuário-Lar e no outro dia ali aparecia uma nota de 1 real! Era o Pe. Kentenich que nos deixava nossa recompensa e assim, devido a vivência dos meus pais, desde cedo tive essa imagem positiva do Fundador, mesmo sem entender muita coisa.

Passei minha infância e adolescência ouvindo muitas histórias dele e das “dificuldades” que enfrentou na vida, as quais conhecemos como os “Marcos históricos de Schoenstatt”, mas de nenhuma forma as relacionava diretamente a mim. As via como “ohhh, que exemplo de santidade e força!”, porém não pensava que tudo aquilo que ele passou, de alguma forma, passou por mim. Durante a adolescência, passei pelas comuns dúvidas de fé, que me deixavam angustiada e também sedenta por conhecimento e fui me interessando cada vez mais pelo tema da liberdade na filosofia, o que me levou “de volta ao lar”. Já nessa idade, por volta dos 14, 15 anos, encontrei no Pai e Fundador alguém que me podia ensinar um caminho de autoconhecimento e autoeducação e que tratava com muita atualidade o tema da massificação, da perda de identidade e da real liberdade interior, que provinha de escolher a obediência aos planos de Deus. A partir daí, posso dizer que fiz minha escolha pessoal por Schoenstatt. Quando juntei todos esses pontos, descobri que o exemplo do Pe. Kentenich e Schoenstatt não eram só uma escolha dos meus pais por mim, senão que uma escolha e uma vocação muito pessoal, sentidas através da voz de Deus na minha vida.

Por essa mesma época quis, ao invés da tradicional festa de 15 anos, realizar uma viagem com meus pais, e acabamos escolhendo como destino Nova York e Milwaukee, porque assim podíamos atender ao aspecto dos museus que eu tanto gosto e também conhecer onde o Pai e Fundador ficou exilado por mais de uma década. Foi uma graça muito grande poder percorrer os mesmos caminhos que ele durante esse tempo tão desafiador na história de Schoenstatt e aí comecei a aprender e a guardar muitas peculiaridades e pequenas histórias sobre o cuidado dele para com todos, suas palestras, o início da corrente do Santuário Lar e muito mais. Aí comecei a conhecer de perto a personalidade do Pe. Kentenich e tirá-lo do plano mais intelectual e espiritual que eu o colocava, e trazê-lo para um plano mais concreto, da minha vida diária.

Qualquer vinculação não acontece do dia para a noite, é necessária a criação de confiança e amor, e só se ama o que se bem conhece. E foi assim que fui construindo minha vinculação. Muito se passou nesse meio tempo, Aliança de Amor, Ensino Médio, Vestibular, JMJ e Cor Unum, passagem do símbolo do Pai pelo Brasil e muitos outros momentos que levaria horas contando e que foram gradualmente me trazendo mais perto do Pai. Entretanto, o ano de 2014 foi decisivo e posso dizer, completamente extraordinário, nada menos do que se espera de um ano jubilar (ou, na verdade, muito mais do que eu esperava!).

Nesse ano, junto com o meu grupo, nos preparamos para a instituição do Santuário-lar em nossos quartos e desde aí já tive uma relação mais estreita com o Pai e a preparação para o jubileu e a viagem que eu faria a Schoenstatt intensificaram muito minha relação de filha para com ele. Então, o processo se acelerou drasticamente com as festividades do jubileu e nesses últimos tempos que passei na Alemanha.

Nos dias de graça em que pude (re)conhecer com meus próprios olhos e coração o nosso Lar Original, algo foi mudando dentro de mim e um sentimento de gratidão infinito tomou conta. Eu via todo o meu passado e tudo que aconteceu até chegarem aqueles momentos e pensava o quanto eu devia tudo isso à fé, persistência, confiança filial e paternidade do Pe. Kentenich. Eu senti a presença dele ali do meu lado em muitos momentos e vi nele não só mais um exemplo de vida, senão que um Pai, que me pedia permissão para me acompanhar. Um Pai que mandava seus sinais através de seus instrumentos e que intercedia por mim junto à Mãe de Deus em tudo necessário. Ao recorrer e recorrer de novo e de novo seus passos em Schoenstatt ia me apropriando também do seu caminho. Ouvir suas histórias no lugar onde aconteceram, e suas palavras ali mesmo onde foram faladas, é algo que serviu para unir no meu espírito todas essas realidades que estavam um pouco separadas.

Poder visitá-lo no seu local de nascimento, crescimento e depois no local de morte e comemorar o seu aniversário ali junto à sua tumba foram momentos que me causaram uma impressão muito forte e nos quais eu sentia a ação de Deus de uma forma muito potente em mim. No dia do seu aniversário foi quando me dei conta de que, de certa forma, devia minha vida a ele! Meus pais eram da Juventude Feminina e Masculina de Schoenstatt e por causa do Movimento por ele fundado e sustentado com tantos atos de amor e sacrifício, pelo fazer-se instrumento, graças a toda sua entrega, meus pais puderam se conhecer e formar uma família schoenstatteana, que me deu o dom da vida. Assim, se o Pe. Kentenich em um momento tivesse renegado a sua missão, eu provavelmente nem existiria. (!) Aí também foi quando imergiu o pensamento em mim de que fui pensada como sua filha espiritual desde a eternidade. Desde a eternidade Deus planejou para mim e para cada schoenstattiano um Pai que entregaria toda sua vida para que nós pudéssemos encontrar a Deus através de sua Obra. Um Pai que quer me acompanhar, me aconselhar, falar comigo e me amar como a filha mais pequena e débil.

Durante esses meses que morei em Schoenstatt (de Outubro até o final de Fevereiro), pedi muito à MTA no Santuário que aumentasse a minha vinculação ao Fundador, porque não é algo sempre fácil. E como para amar é preciso conhecer, fui lendo todos os livros que conseguia encontrar sobre sua vida e também por ele redigidos. Não há como vincular-se ao Pai sem saber o que ele quer dizer a cada uma de nós. E era incrível que conforme eu avançava, sua história e sua pessoa foram ficando cada vez mais naturais para mim e embora eu já o chamasse de Pai há muito tempo, comecei a conversar com ele como tal, falando das pequenas coisas e agradecendo e pedindo pelo mais pequeno.

Outro ponto marcante foi a visita a Dachau. Ao contrário de todos os outros visitantes, fomos aí experimentar um lugar de muita vida. Um lugar de onde do mais desprezível e desumano, a partir dos sacrifícios mais caros, brotou vida fecunda. Um lugar onde um Pe. Kentenich muitas vezes idealizado (no sentido de colocado somente no plano intelectual) por mim, se tornava um prisioneiro que passava fome, frio, que era impedido de fazer o que mais lhe aprazia, que era celebrar a santa missa, que foi separado do seu lar espiritual, que tinha saudades de Schoenstatt, que se deparava com morte e doença todos os dias, que muitas vezes não dormia bem e que chegava aos seus limites humanos. Aí foi quando o pude experimentar mais humano do que nunca. Aí senti que compreendi todas minhas fraquezas e debilidades, e que mais que isso, suportou livremente todo esse peso por todos os seus filhos futuros de Schoenstatt, nos quais me incluo. Senti um Pai, que mesmo não me conhecendo, doou até seu último cansaço por mim, porque sabia que quando eu viesse ao mundo e passasse por tentações, ia me espelhar nesse instrumento de Deus e sabia que seu sacrifício ia criar terra fecunda para a santidade de todos que ainda virão em nossa Família.

Hoje, o Padre José Kentenich para mim é um amigo, confessor, mas acima de tudo um Pai. Um pai que me olha lá do céu e me acompanha. Um Pai ao qual eu fui destinada desde quando Deus me imaginou pela primeira vez. Um Pai que me une em família com todo o Schoenstatt internacional. Um Pai que me ensinou a procurar dentro de mim e em Deus a verdadeira liberdade. Um pai que me presenteou com muitas irmãs e irmãos para me ajudarem a viver o ideal. Um Pai que me leva sempre pelos distintos caminhos até a Mãe. Um Pai que tomou a sério a solidariedade de destinos e assim contribui até hoje no nosso caminho de santidade como Jufem. Um Pai que me acompanha quando estou cheia de coisas para fazer, matéria para estudar, reuniões para preparar, tristezas e desafios, mas também nos meus momentos de maior alegria. Por fim, um Pai que se comunica com todas nós e nos quer unidas junto a ele: Cor Unum in Patre!

 

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