Acima de tudo está a vontade do Pai

Querida Jufem, há 70 anos nosso Pai e Fundador tomou uma importante decisão que se tornou para a Família de Schoenstatt o Segundo Marco Histórico. Foi no dia 20 de janeiro de 1942. Mas, o que aconteceu nesse dia que o tornou tão importante? Para respondermos é preciso recordar o contexto histórico e também entender o que significa ser filho diante de Deus.

Pelo fato de não concordar com as ideias do regime nazista na Alemanha e por falar abertamente nas pregações e retiros sobre a sua posição frente ao governo de Hitler, Padre Kentenich foi aprisionado pela Gestapo – polícia secreta do Nacional Socialismo – em 20 de setembro de 1941. Sozinho naquela minúscula cela, um cofre no porão do edifício de um antigo banco, Padre Kentenich podia ouvir o choro e os gritos de desespero dos outros prisioneiros. Como não era possível fazer nada por eles, começou a cantar todos os cantos religiosos que tinha decorado para, dessa forma, lembrar aos prisioneiros que Deus estava com eles e assim ajudar a acalmá-los.

Após quatro semanas, Pe. Kentenich foi retirado do calabouço e levado à prisão na cidade de Coblença. Mesmo tendo sido preso injustamente, ele não manifestava nenhuma revolta, pelo contrário, interpretava cada acontecimento à luz da fé na divina providência e comparou a sua situação com o tempo em que uma mãe espera o nascimento de um filho, dizendo que ela sempre prepara as melhores fraldas. Naquele momento, também para ele, Deus preparava o melhor. Exteriormente estava preso, mas seu coração estava inteiramente livre para Deus. Assim ele escreveu à Família de Schoenstatt:

“O mais precioso que o homem possui é a liberdade. Com amor sincero e ardente, ofereço essa liberdade para que o bom Deus conceda à Família, por todos os tempos, o espírito da liberdade dos filhos de Deus que anseio com tanto ardor. Antes de iniciar a sua paixão, Jesus rezou: ‘Ninguém me tira a vida… eu a dou porque quero’. Eu também faço assim: Ninguém me tira a liberdade. Eu a entrego livremente… entrego-a porque Deus assim o deseja… E meu alimento, minha tarefa predileta, é fazer a vontade daquele que me enviou, e cumprir a sua Obra” (Livre em Algemas, p. 5).

No dia 13 de janeiro de 1942, Padre Kentenich foi submetido a um interrogatório e por não responder como a Gestapo desejava, foi ameaçado de ser enviado ao Campo de Concentração que, como sabemos, era um verdadeiro campo de extermínio. No dia 16 de janeiro, após ter sido submetido a exame médico, foi considerado apto para o campo. Claro que o exame foi muito superficial, pois sua saúde era fraca. Como um filho que se deixa guiar pelo pai com toda a confiança, ele permaneceu tranquilo, inteiramente abrigado em Deus e no coração da Mãe de Deus. Assim ele escreveu para Schoenstatt: “Acabo de ser examinado em relação ao Campo de Concentração. Resultado: apto para o campo. Mas agora ninguém deve preocupar-se com isso” (idem, p. 16). Em Schoenstatt todos ficaram muito assustados e começaram a procurar meios para que ele não precisasse ir ao campo. Alguém entrou em contato com o médico explicando do problema de pulmões que ele tinha. O médico estava disposto a dar novo laudo, mas, para isso, o prisioneiro precisava fazer um pedido por escrito solicitando novo exame. Agora estava nas mãos do próprio Padre Kentenich. Porém, essa decisão não foi algo tão simples para ele. Acima de tudo, o que ele queria era descobrir qual a vontade de Deus para aquela situação. Ir para Dachau, o Campo de Concentração, era certamente caminhar para a morte e separar-se para sempre da Família recém fundada e que ainda precisava muito do fundador. Preocupava-se também com todos aqueles que estavam rezando por sua libertação, pois temia que não compreendessem a sua decisão. Era uma decisão muito difícil, pois, como revela uma de suas cartas, sentia que “não era correto escapar do Campo de Concentração”, porque lá já estavam muitos filhos de Schoenstatt. Sua confiança era maior do que as ameaças do campo e sua preocupação não era em relação aos perigos e sofrimentos, mas em primeiro lugar descobrir o que queria Deus e realizar sua vontade até os mínimos detalhes. À sua frente estava o Salvador que foi obediente ao Pai, como diz São Paulo, “obediente até a morte e morte de cruz!”

Para refletir:

Em nossa caminhada da Jufem Brasil rumo a 2014, com o encontro nacional de dirigentes – 2012 – encerramos o “ano da filialidade”, no qual procuramos vivenciar mais profundamente o nosso ser filha-lírio. Contemplando mais uma vez o exemplo de nosso Pai e Fundador que viveu como filho inteiramente aberto e dócil aos mais leves acenos de Deus, e nos perguntamos: como estamos vivendo o nosso ser filhas? Sabemos ouvir e reconhecer a voz de Deus através da voz e conselhos de nossos pais, que são os seus representantes mais próximos de nós? Diante de uma grande decisão, mas também das pequenas decisões do dia a dia, o que é mais importante para nós: o nosso próprio bem estar, nossa realização pessoal e profissional ou a vontade de Deus para nossa vida?

Certamente Deus não nos pede algo tão grande e difícil como um “Campo de Concentração”, mas cada dia nos chama a vivermos pequenas situações de “Dachau” para nos educar e tornar mais profunda a raiz de nosso amor filial em seu coração.

Jufem, o exemplo de nosso Pai e Fundador nos mostra que a filialidade não é uma brincadeira, não é “criancice”, mas viver heroicamente conforme a vontade do Pai. O desafio da filialidade heroica está lançado, qual a sua resposta hoje?

Ir. M. Rosangela de Souza

Assessora da Jufem – Regional Sul

 

1 Comentário em "Acima de tudo está a vontade do Pai"

  1. Caroline Moraes de Freitas | 30 de janeiro de 2012 at 15:37 | Responder

    Que o Pai Fundador interceda por nós para que possamos sempre mais compreender e aceitar a vontade do Pai!

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