Como viver o ideal como árbitra de futebol

Sou Gabriela e pertenço a Jufem de Guarapuava. Vocês podem achar um tanto diferente para uma jovem, mas aos finais de semana, sou árbitra de jogos de futebol. Tudo começou com incentivo do meu pai, pois antes de fazer o curso eu jogava futsal, até cheguei treinar para o time de Guarapuava/PR, mas não fui em frente por alguns motivos, e foi daí que meu pai me falava “filha já que você não quis seguir sua carreira de jogadora quero que você e a Rafa (minha irmã) façam o curso de arbitragem”. E foi assim que começamos, terminamos o curso, só que não éramos escaladas, pois apenas eu e minha irmã éramos as únicas mulheres que fizemos o curso, e as pessoas que escalavam na Liga de Futebol eram homens, e eles tinham medo de colocar-nos para trabalhar, pois estamos sujeitas apanhar dependendo do jogo. Mas um dia meu pai falou para o presidente da Liga que nós sabíamos onde estávamos entrando, que era para escalar sem medo.
Fiquei 1 ano sendo Delegada, ou seja, mesária (aquela que fica escrevendo na súmula os nomes dos jogadores os cartões e entre outras coisas). No ano seguinte, meu pai falou que era para eu começar a ser assistente do árbitro, ou seja, a bandeirinha, mas eu estava com medo e falei que não iria, mas ele insistiu, e teve um treino do time do meu avô e foi ai que comecei a praticar juntamente com meu pai. Ele ensinava como tinha que ser, que não era difícil e apenas uma coisa deveria saber para ser bandeirinha, o impedimento, pois tem vários tipos de impedimentos e tem que observar tanto a bola como a posição dos jogadores.
Depois desse dia queria ser assistente, porém era mais perigoso, pois havia o risco de apanhar, e as pessoas que escalavam, não queriam que eu fosse, e apenas me escalavam como Delegada. Meu pai foi novamente, pediu para me escalarem na próxima partida como bandeirinha. E esse dia chegou, estava com muito medo, pois eu sabia mais na teoria que na prática, fui escalada o dia inteiro em um torneio de sub 17, na parte da manhã foi tranquilo, pois era de criança até 9 anos. À tarde eram os jovens, eram 6 times e o jogo era mata-mata quem perdesse estava eliminado. O segundo jogo dois times bons e rivais estavam empatados 1×1 até nesse momento estava muito tranquilo o jogo, até que em uma falta cobrada, eu dei impedimento, e foi nesse momento que o rapaz que cobrou veio ao meu encontro do outro lado do campo me agredindo e dando de dedo na meu rosto, falando muitos palavrões e falando o que eu estava fazendo ali, e que eu era muito ruim como assistente. No momento eu apenas fiquei no meu lugar, escutei tudo e não disse nada, a minha vontade foi grande de responder para ele, mas fiz tudo que ele não esperava, pois eles querem qualquer desculpa para agredirem. Posso falar que nesse dia quase apanhei, mas eu sei aquilo que fiz foi o certo.
Enfim poderia contar muitas histórias, pois esse ano vão fazer 3 anos que sou assistente do árbitro, mas uma história é suficiente para perceber como é, e também sei que muitas gente assiste jogos e falam muito dos árbitros. Posso garantir uma coisa, como dizemos aqui “até minhas próximas gerações serão criticadas”, a torcida e os próprios jogadores não perdoam, ainda mais que se for mulher, existe muito preconceito sobre isto e entre outras coisas. Agora ser assistente é apenas vamos dizer um “Hobby”, mais ainda penso fazer dela como uma profissão além da minha profissão de Contadora, ou seja, fazer o curso da Federação e começar a ser assistente da “Série A” ou até mesmo ir para uma Copa.
Concluindo vivemos o ideal todos os dias e como árbitra não é diferente, temos que saber a hora de agir e falar, muitas vezes temos que deixar de fazer algo, como por exemplo, torcer para algum time da cidade, apenas podemos assistir. Tem uma frase do Pai que é “cumpro o meu dever, mesmo que ninguém o veja e me louve por isso”, essa frase define muito quando a gente está dentro e fora do campo.

Gabriela Kublinski – Jufem Guarapuava
Gabi

Seja o primeiro a comentar em "Como viver o ideal como árbitra de futebol"

Deixe seu comentário

Seu email não será publicado.


*