Dr. Friedrich Kühr

Ideal Pessoal: Servo do Criador e filho do Pai, como instrumento voluntário e humilde de Cristo, nas mãos de Maria

Data de nascimento: 14/12/1895
Data de falecimento: 27/10/1950

Friedrich Kühr nasceu no dia 14 de dezembro de 1895, na Alemanha, e faleceu no Brasil, na cidade de Rolândia, que fica no norte do Paraná. Desde cedo, estimulado por um professor, o jovem Fritz já se interessava por questões políticas e sociais de sua época, o que o levou mais tarde a se matricular no curso de Ciências Jurídicas e Sociais (Direito e Economia) e simultaneamente em Teologia.

Em 1923 casa-se com a professora Helene Keespe. Devido ao seu forte engajamento político, Dr Kühr teve de abandonar a Alemanha quando o partido nazista chegou ao poder, já que não concordava com o novo regime. Assim, em outubro de 1933, o casal muda-se para a África, porém Helene não se acostuma com o clima e adoece gravemente, fazendo-os voltar para a Europa, indo morar na Áustria. E ali, no novo país, Fritz continua com seu engajamento político, tornando-se secretário geral da Câmara de Trabalho Austríaca e dos Sindicatos da Áustria.

Devido ao cargo que ocupava, Dr. Kühr participava de muitas recepções oficiais. Por ocasião da recepção de uma delegação econômica do Brasil, a Sra. Kühr sentou-se ao lado do diplomata brasileiro; durante a conversa a professora comentou que possuía terras colonizáveis no Brasil e, como eles nunca tinham visto a propriedade, o diplomata convidou-a a viajar com a delegação de volta ao país e conhecer as terras. Assim ela chegou em solo brasileiro no final de janeiro de 1938. Só que durante sua estada na América do Sul, os nazistas ocuparam a Áustria. Pouco tempo depois a professora leu em um jornal, trazido por imigrantes, que seu marido havia sido preso. Inicialmente a Sra. Kühr queria voltar para a Áustria, mas como era impossível acabou por ficar morando em Rolândia, e só foi ter notícias do marido bem mais tarde.

No dia da prisão o Dr. Kühr teve chance de fugir, mas optou por voltar ao seu escritório para buscar uma mala com documentos importantes: esses documentos tinham, principalmente, dados sobre pessoas, e se caíssem nas mãos da Gestapo (polícia nazista) muitos estariam em perigo. Ele arriscou sua vida pelos demais, porém não teve sorte na investida. Na porta do escritório foi recebido pela polícia e preso na hora.

No dia 2 de abril de 1938 Fritz foi levado para o campo de concentração de Dachau, onde continuou com sua ajuda ao próximo em tudo que podia, apesar dos castigos. E foi lá que teve o encontro que mudaria sua vida: conheceu o fundador do Movimento de Schoenstatt, padre José Kentenich.

O fundador trazia consigo a idéia da renovação do mundo, e estava convencido de que apenas pela renovação da família cristã seria possível alcançar uma nova ordem da sociedade. E em Dachau procurou ver as portas que se abririam nesse sentido, encontrando no Dr. Fritz um forte aliado para essa missão. Assim, em 16 de julho de 1942, o Dr. Kühr, pelas mãos do Pai Fundador, fez sua consagração e se tornou o primeiro noviço do Instituto das Famílias de Schoenstatt, mesmo em meio aos horrores e perigos de Dachau. Estava fundado mais um Instituto, e a Obra das Famílias como um todo. Dr. Fritz foi libertado do campo de concentração no dia 17 de setembro de 1943.

Depois de muito esforço e muitas negociações, Dr. Fritz conseguiu vir para o Brasil e reencontrar sua esposa. Mas nessa época já sofria com um câncer em estado avançado, apesar de se esforçar por não mostrar a doença. Durante uma visita do padre Kentenich à Londrina, eles tiveram a chance de se reencontrar. E, por fim, no dia 27 de outubro de 1950 ele entregou sua vida ao Bom Deus, com alegria de cumprir a vontade do Pai, referindo-se sempre à Inscriptio como alegre aspiração à cruz e ao sofrimento.