Ideal Nacional: onde tudo começou

Atualmente nós podemos dizer que, como Juventude Feminina brasileira, temos um “rosto” nacional, um ideal em comum. Mas a descoberta desse ideal foi um processo longo e trabalhoso, que contou com árdua dedicação das que nos precederam.

Conversamos então com aquela que formulou o nosso ideal: Patricia Sardeto. Bastante emocionada, ela relembrou seu tempo de juventude. Grande parte dessa emoção, como fez questão de dizer, foi pela perda recente de uma de suas irmãs de grupo, Fabiana Skiavine Moya da Silva, que faleceu no dia 16 de março. Patricia ressaltou a importância de Fabiana em todo processo de união nacional, mostrando que ela também foi uma “peça-chave” na consolidação do nosso lema.

Desde 2010, após o Encontro Nacional em Santa Maria, as aspirações do ideal – filialidade, pureza e missão – são revisitadas, por isso a importância de entender como ele surgiu.

Hoje, Patricia é casada, pertence à Liga das Famílias e tem dois filhos, além de ser professora universitária e advogada. Seu marido atua como editor da revista do Movimento de Schoenstatt no Brasil, Tabor em páginas, e ela, como revisora da publicação.

Como você começou a participar do Movimento?

Eu estudava no colégio Mãe de Deus e aí recebi um convite das irmãs. Eu lembro que entrei novinha ainda, acho que com uns 11 ou 12 anos, direto na juventude, não fui apóstola.

Como foi sua passagem pela Jufem?

A juventude sempre foi a minha outra família. Minha mãe fala que “muito da nossa educação foi de casa, mas o Movimento também ajudou, a Mãe de Deus também cuidou de educar”. É como se eu não conseguisse imaginar a minha vida sem a Jufem, sem o Movimento.

Como foi que surgiu a corrente do ideal nacional?

Quadro criado para a Aliança de Amor do grupo de Patricia

Na Alemanha, nós estávamos em três brasileiras, tinha a Terezinha de Araraquara e a Marília do Sul (que já era da Liga), e lá a gente sentia também essas inquietações. As meninas dos outros países vinham conversar conosco e não entendiam muito bem como é que cada canto do país tinha uma aspiração diferente. Isso também nos deixou mais inquietas ainda, porque nós víamos que a juventude de outros países tinham uma caminhada comum e nós sentíamos um pouco de falta disso.

Mais tarde, em janeiro de 1982, teve aquele encontro grande na Argentina e fomos em uma caravana daqui, junto com outra de São Paulo e também uma do Sul. Eu lembro que lá, quando as meninas voltaram, foi bastante forte isso: “olha, nós éramos regional norte, regional sul, qual o porquê dessa divisão toda?”. Então foi aí que percebemos que precisávamos fazer alguma coisa, ter um ideal único que a gente conseguisse se identificar.

Como foi o processo depois que voltaram da Argentina?

A gente não sabia muito bem como caminhar com essa descoberta. Tínhamos consciência de que juntar todo mundo não ia ser produtivo, mas a gente queria ter toda a juventude participando, que todas estivessem empenhadas; sempre existiu essa preocupação de não ser algo de cima para baixo. Os encontros foram em grupos pequenos, mas nós queríamos ver a juventude toda participando, então tínhamos Capital de Graças em comum, todo material que era levado para o encontro já havia sido trabalhado no ano com a juventude. A gente chegava ao encontro de dirigentes, que tinha poucas meninas, e o trabalho era feito em cima do trabalho realizado durante o ano por cada local, cada grupo.

O primeiro Encontro Nacional de Dirigentes nós fizemos em Londrina, depois em Santa Maria e em seguida em Atibaia. No primeiro, em Londrina, nós fizemos o resgate histórico para se ter um ponto de partida; cada regional ficou de fazer o seu resgate histórico. O interessante é que tudo foi muito guiado pela Providência, a gente não sabia muito bem como as coisas iam caminhando. No final do encontro nós coroamos a imagem peregrina da Jufem [Rainha da Promessa] e surgiu a ideia de uma corrente de peregrinas pelo Brasil. Em um próximo encontro, no Sul, nós conferimos quais eram os símbolos mais importantes para cada regional, as correntes de vida, toda essa vida a gente procurou levar para esse encontro de dirigentes. O engraçado é que, quando a gente pensou de fazer o encontro aqui em Londrina, não tinha essa ideia pronta de que seria nos três regionais, mas é que o ideal não saiu antes. Então assim, a gente vê que foi a Providência mesmo, no Sul nós ficamos muito agoniadas porque não conseguimos descobrir lá, mas por outro lado teve isso de passar por todos os regionais. Eu lembro que em Atibaia foram pedidos símbolos, desenhos, o que nós gostaríamos que tivesse, porque nós tínhamos a ideia de sair não só com o ideal, mas com um símbolo também.

Como foi esse encontro em Atibaia?

O que me marcou muito no encontro foi que todas estavam muito engajadas, compenetradas, comprometidas com a descoberta do ideal. Nós tínhamos momentos de oração, de reflexão, as reuniões sempre muito produtivas, a coisa ia se afunilando cada vez mais. Fizemos vigília à noite, a gente já estava se aproximando do final e estávamos preocupadas por não conseguirmos fechar.

Como foi a descoberta em si?

Eu lembro que nós íamos embora no dia seguinte e nada. Eu tinha uma foto, aquela do Pai e Fundador perto de uma parede, junto com uns lírios, no meu Rumo ao Céu. Eu a coloquei embaixo do travesseiro e fui dormir rezando, pensando nessa questão do ideal. No dia seguinte eu levantei pensando na formulação que era a do ideal, mas foi assim, uma coisa tão minha, que eu achei que não fosse isso ainda. Eu lembro que eu rezei, falei “Pai se realmente for, que a coisa caminhe e a gente realmente se encontre”. Uma coisa que me preocupava muito também era como eu ia falar isso, pra não ficar uma coisa imposta ou uma coisa que parecesse que pertencia a um único regional. Então isso me inquietou bastante e eu fiquei em silêncio, não falei nada pra ninguém. De manha nós começamos, foi, foi, foi, e nada, tudo no mesmo impasse. Quando eu vi que não saía, aí eu contei, eu disse tudo como havia acontecido. E aí foi assim um momento onde todo mundo se olhava e dizia “será?”.  Foi um momento em que todas pararam um pouco para pensar se realmente a vida do local estaria ali naquele ideal. E foi muito bonito esse momento, porque todo mundo conseguiu se encontrar de certo modo. Todas nos abraçamos, fomos para o Santuário.

E a repercussão disso depois, nas cidades?

Nós voltamos muito empolgadas, fizemos encontro com a juventude para contar como foi. Pouco a pouco, foi sendo incorporado, a juventude acabou assumindo esse ideal. Eu acompanhei por mais um pouco, mas logo depois me casei, não fiquei por muito tempo.

Hoje, o ideal ainda influência na sua vida pessoal?

Schoenstatt tem vários lemas, ideais e em tudo um pouquinho a gente se encaixa, encontra-se.

Qual mensagem você teria para a Jufem Brasil hoje?

Eu gostaria que todas as meninas que participassem da juventude tivessem essa mesma empolgação que a gente sempre teve, essa mesma força de vontade. Às vezes, enquanto jovem, a gente quer tudo para ontem, mas é preciso lembrar também que são necessários momentos de oração, de entrega. A juventude, não só a juventude, mas todo mundo, precisa de uma aspiração; ter claro que a gente faz a nossa parte e Deus e a Mãe também fazem a parte deles, não nos deixam na mão. A juventude, independente da época, tem sempre os mesmo anseios, ela precisa da força que a gente encontra no santuário, na Aliança de Amor.



Por Karen Bueno – Jufem Londrina

2 Comentários em "Ideal Nacional: onde tudo começou"

  1. Como é bom poder conhecer um pouco mais sobre a vida daquelas que passaram pela Jufem e ajudaram a construir nossa história, nosso ideal. Obrigada Patrícia pela doação e entrega a Jufem e sua contribuição para o nosso lindo ideal: “Lírio do Pai, Tabor para o mundo!”

  2. Eu estava lá!!!!!!!!!!!
    Foi um momento realmente único. Existem coisas na vida que não se explica, simplesmente se vive. E hoje, tantos anos depois, quando nos recordamos daquele momento, tudo volta, com intensidade, alegria e gratidão.
    A Mãe de Deus e nosso Pai e Fundador usam seus instrumentos. Hoje ainda eles esperam por instrumentos aptos, vazios de si, prontos para continuarem construindo essa história. LÍRIO DO PAI, TABOR PARA O MUNDO!

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