Lurdes e Zélia: há 40 anos dedicando a vida pelos doentes

A chegada da Páscoa é sempre um convite forte de Deus aos cristãos para que experimentem uma “vida nova”, mais vinculada a Cristo. Em 2012, este chamado esteve muito ligado à frase “Que a saúde se difunda sobre a terra” (Eclo 38,8), lema da Campanha da Fraternidade.

No Movimento Apostólico de Schoenstatt, a conexão entre saúde e Deus é íntima. Em vários locais se encontram projetos, hospitais e grupos que desenvolvem trabalhos nesta área. Londrina, por exemplo, é sede do complexo da Irmandade Santa Casa e do colégio Mater Ter Admirabilis. Além disso, desde 1970 abriga a Liga dos Enfermos.

Este ramo da Obra surgiu por iniciativa da Ir. Regina Maria e hoje segue pelas mãos de duas mães, presentes desde sua fundação: Lourdes Santos Pereira e Zélia Ferrari. Atualmente, a liga acompanha pouco mais de 20 doentes e tem como objetivo transformar o sofrimento da doença em entrega profunda ao Capital de Graças.

A liga já construiu uma casa para uma enferma, ajuda na compra de medicamentos, pagamentos de contas dos mais humildes e entrega cestas mensais de alimentos. Mas tem no seu trabalho espiritual a maior contribuição. Dona Lurdes e dona Zélia mostram entrega heroica e verdadeiro amor pelo ramo e fazem um apelo: novos integrantes para que a abrangência da Liga dos Enfermos cresça.

Ao final de uma quaresma, a Jufem Londrina traz uma entrevista com duas fortes mulheres, exemplos para nossa juventude, que mostram um gesto concreto pelo tema da CF-2012, difundindo saúde e, mais do que isso, força e alegria, pela terra.

Como começou o envolvimento das senhoras com o Movimento Apostólico de Schoenstatt?

Lourdes: Eu tinha minhas meninas estudando no Colégio Mãe de Deus e eu morava na chácara. A Ir. Regina via que eu ficava ali no pátio, às vezes esperando as meninas e me convidou. Eu dizia que não podia porque morava na chácara, mas disse que estava pensando em mudar para a cidade. Mudei no dia 30 de julho de 1970 e, na primeira reunião de agosto [da Liga dos Enfermos], eu já estava na reunião, onde também estava a Zélia.

Zélia: Eu comecei em 1969 [na Liga das Mães], a convite de uma prima. Fomos começando aos pouquinhos, com poucos doentes no começo.

L: A Ir. Regina não deu muita chance. Eu vim na reunião da terça e, na quinta, ela já me deu uma enferma. Eu fiquei com essa enferma até 2000, quando ela faleceu.

Como é trabalhar tantos anos em favor desta causa? De onde vem a força?

L: Onde nós vamos buscar a força? No Santuário, na Mãe de Deus, em Deus. Fazer isso foi muito gratificante. Se eu não falar que é bom, o que estou fazendo aqui então? Quando a Ir. Regina ficou doente, que ela precisou se retirar para fazer tratamento de saúde, ela me chamou para ter uma conversa e falou: “Dona Lourdes, a senhora vai ficar com essa Liga dos Enfermos até a senhora ficar como eu, não tiver mais forças”. Porque a liga era a “menina dos olhos” da Irmã.

Liga dos Enfermos trabalha desde 1970, quando foi fundada pela Ir. Regina Maria

Z: Eu acho que vai ser muito difícil colocar uma segunda dona Lourdes no lugar. Ela é incansável, os doentes são sagrados para ela, são a família dela. Nós estamos juntas desde o início, quando ainda era mais fácil, as pessoas eram mais disponíveis. A gente ia aos doentes, voltava feliz, a gente se dispunha a conversar, a ouvir. Nada disso era visto como sacrifício, mas com amor.

A Campanha da Fraternidade em 2012 coloca a saúde pública como tema central. Como vocês analisam a relação de Schoenstatt com a saúde, como a Liga dos Enfermos se insere nisso?

L: Nós apenas seguimos os ensinamentos do Pai Fundador.

Z: A gente sempre fala essa frase quando explica a liga “O Pai e fundador, Pe. José Kentenich, profundamente imbuído do valor e sentido da cruz como sinal mais importante da transformação em Cristo, já em 1926, incentivou a formação da Liga dos Enfermos para testemunhar que a doença faz parte do mistério da Cruz, e por isso significa força divina”.

L: A Ir. Regina nos passou isso. Ela passou muitos anos querendo fazer esse trabalho, foi uma luta para ela. Se eu falar pra você que é fácil, não é, é gratificante. Quando você chega para conversar com o enfermo, ele não está bonzinho, aceitando o sofrimento dele. É muito trabalho, é difícil. Eu sempre falo para as cuidadoras que o primeiro passo é conquistar a amizade do enfermo e depois saber ouvir.

Z: Mesmo que no começo seja um pouco difícil, devargazinho, a gente leva a espiritualidade do Pe. Kentenich. A gente vai levando aos poucos, trazendo ao Santuário, explicando a finalidade dos estudos até que eles vão aceitando. Todos os nossos enfermos já são consagrados, já fizeram Aliança de Amor, Santuário Lar, coroação.

Qual o enfermo que mais lhes marcou ao longo dos anos?

Z: Todo nosso trabalho tem um valor muito grande, desde com o enfermo mais humilde até com o menos sofrido. Todos eles são iguais, a gente recebe essa força, essa alegria de estar com eles.

L: Todos marcaram, mas o Sebastião é especial.

Z: O Sebastião com 18 anos teve artrite reumatoide. O corpo dele ficou inteiro deformado e faz 60 anos que ele não sai da cama, mas tem uma cabeça como poucos. Ele tem uma educação dentro dele para não dar trabalho para as pessoas. Quando a gente fala “Vamos fazer a consagração, Sebastião?”, ele diz que ainda não é digno.

L: Ele é realmente um exemplo. Ele recebe todo mundo na casa dele, fala que sua casa é ecumênica. Ele tem um amor imenso pela Mãe de Deus, é profundo conhecedor do Pe. Kentenich, do Santuário, ele lê muito.

Z: Uma das coisas mais importantes é você aceitar suas limitações. A gente fica feliz quando vê a transformação daquele doente revoltado, ele volta à vida. Não só ele, mas a família, que acaba ajudando mais o enfermo, começa a frequentar o Santuário.

O que vocês têm a dizer à Juventude Feminina do Brasil?

Z: Que abram seu coração, que ouçam um pouquinho mais os mais velhos, que guardam o coração ardendo por Cristo. Também procurem conversar um pouco mais com as pessoas que estão envolvidas nesse tipo de trabalho.

L: Doar é maravilhoso. Para as jovens, caso consigam fazer esse trabalho, já é um aprendizado para quando tiver um enfermo na família. Aproveitando que a Campanha da Fraternidade teve este tema, eu acho que é hora de arregaçar as mangas.

*** Para conhecer um pouco mais sobre o Sebastião, o enfermo lendário, você pode escutar uma entrevista emocionante  presente no site da Mãe Peregrina. Confira pelo link: http://maeperegrina.org.br/artigos/dlourdes_enfermos.htm

Por: Pauline Almeida / Jufem Londrina

 

 

2 Comentários em "Lurdes e Zélia: há 40 anos dedicando a vida pelos doentes"

  1. Muito linda a história!

  2. A Liga dos Enfermos de Londrina é um grande tesouro que o Ramo das Mães tem cuidado durante todos os esses anos!
    Parabéns a todas as pessoas que tem colaborado para o crescimento e fortalecimento desse ramo!
    Um grande exemplo a ser seguido por nós jovens!

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