Marcha das Vadias

“Eu pensei seriamente em ir.” – ouvi se pronunciar uma jovem da JUFEM sobre a Marcha das Vadias.

Por isso resolvi escrever este texto, que cabe certinho nesse ano que estamos aprofundando o tema da Pureza, tendo constado, inclusive, no nosso livro.


Um breve resumo do assunto: a “Marcha das Vadias” teve início no começo de 2011, em Toronto, no Canadá. O protesto, organizado por estudantes, ocorreu depois que um policial declarou, em uma palestra para a comunidade acadêmica, que as mulheres deveriam parar de se vestir como vadias para evitarem ser estupradas. Elas protestaram, então, por preferirem ser chamadas de vadias do que terem que se vestir de um certo modo para deixarem de ser estupradas. Este protesto chamou especial atenção porque além de cartazes e barulho, contou com muitas mulheres sem a parte de cima da roupa, ou só de sutiã (isso é bem comum nas passeatas feministas, como, por exemplo, a “marcha das mulheres”). Depois da primeira vez em Toronto, a marcha se espalhou rapidamente pelo mundo e este ano ela já ocorreu em 20 cidades só no Brasil.


 

Primeiramente, vou deixar de lado todos os abusos cometidos nestas marchas (como a invasão das mulheres da marcha, algumas nuas, dentro da Igreja de Nossa Senhora da Copacabana durante a oração do terço) e o desastroso efeito contrário em muitos espectadores (que, “distraídos” pela nudez das protestantes, sequer sabiam dizer as motivações das inscrições de seus cartazes).

 

 

Assim, tiremos tudo aquilo que está fora do “dever ser” da marcha, ou seja, fiquemos com o essencial: aquilo que as protestantes traziam escrito nos cartazes e em seus corpos. Aqui fiz uma coletânea:

 

Podemos resumir os ideais que permeiam a marcha em, mais ou menos, três pontos:

 

1) O individualismo, a posse do corpo e a liberdade: o nosso corpo, como expressaram as manifestantes, é sim um templo, e não podemos deixar que o violem, assim também nos fala a corrente do Santuário Coração que a Família de Schoenstatt vive. Podemos, então, refletir: meu corpo é um templo, tão precioso, morada do Espirito Santo e da Mãezinha. Portanto, no meu corpo, as regras são as Dele, Daquele que me deu este corpo e que nele habita pelo Batismo. A partir daí, nos questionamos: para que deve servir o meu corpo? Será para o meu próprio prazer? Será para o prazer de outros? Não! Meu corpo, assim como todo o meu ser, deve ser instrumento do amor de Cristo. Quem vê a mim deve ver a Maria, quem vê a mim deve ver uma mulher digna, uma mulher nos olhos da qual todos podem se concentrar, uma mulher cujo coração tem espaço para se mostrar e doar verdadeiramente. E por fim, concordamos que devemos possuir nossos corpos. Mas no sentido de que devemos comandá-los, e não ser comandadas por eles! Devemos ser mulheres livres, sim. Devemos ser livres da moda, do comodismo e da mecanização!

 

2) O feminismo em geral: não vou aqui cair na “vala comum” de dizer que o feminismo é contra o machismo e os dois são extremos e que os dois são ruins. Vou apenas trazer a reflexão, como temos em nosso livro do ano, que sim, não fossem as mulheres queimadas naquela fábrica em Nova Iorque, eu provavelmente não poderia sequer estar me atrevendo a escrever este texto. No entanto, a nossa busca deve ser pelo ideal de homem e o ideal de mulher, encontrados na Sagrada Família. O homem e a mulher não são iguais. Querer afirmar isso é, no mínimo, não enxergar as mais básicas diferenças, a começar pelas físicas. A gente sente, olha, escolhe, pensa, faz, prioriza, recebe, fala, se relaciona, de modos diferentes, mas, sempre, em igual dignidade. Somos igualmente dignos de todo respeito, amor, misericórdia, inclusive do mesmo salário pelo mesmo trabalho. Mas aceitar que somos diferentes, homem e mulher, é um passo muito importante que o feminismo não quer dar.

 

3) Contra o machismo e a violência doméstica, de que são vítimas muitas mulheres todos os dias; Ok, se realmente fosse uma manifestação onde pessoas marchassem lado a lado pelo fim da violência contra a mulher, os abusos sexuais e contra o machismo que coloca o homem acima da mulher, eu estaria lá pessoalmente naquele domingo! A nossa carta de 2010 fala que a nossa missão é também no meio do mundo, sendo ativas nas questões atuais! Sim, vamos nos integrar também nas organizações fora da Igreja que também busquem melhorar o nosso mundo, o nosso país, a nossa cidade! Vamos votar conscientemente, vamos marchar pela educação, vamos fazer romarias pela paz, pelo amor! Combatamos o bom combate! Mas temos que manter os olhos bem abertos e as raízes bem firmes, senão corremos o risco de sermos confundidas com o joio. O Padre Kentenich nos mostra o caminho: vamos liderar pelo exemplo, mostrando em nosso ser e agir aquilo que o mundo mais precisa: o verdadeiro amor, que dignifica e eleva. A mulher livre é aquela que livremente escolhe o bem, que atrai os olhares masculinos pela sua beleza autêntica, sem necessidade de mostrar o corpo. E por se respeitar, impõe aos outros o respeito por si mesma.

 

Termino com um trecho da nossa carta de 2010, escrita por toda a JUFEM Brasil: “É importante ter clareza dos princípios éticos, morais e religiosos, para poder se posicionar, tendo como fundamento o nosso ideal. Uma forma de crescer nesse aspecto é a autoeducação – “ser de Deus para falar de Deus”. Distinção não é superioridade, é ser diferente sem se isolar, ser diferente para ser exemplo para as pessoas.”

 

Luma Goularte Sant’Anna
JUFEM Santa Maria – Regional Sul

9 Comentários em "Marcha das Vadias"

  1. Muito boa as colocações Luma!

  2. Parabéns Luma, ótimo texto que deve ser lido com muita atenção por toda a Jufem!

  3. Excelente texto e muito esclarecedor.
    Em minha cidade aconteceu a marcha e tambem houve duvidas; afinal, quem não quer lutar contra a violência e pelos direitos da mulher?
    Se a marcha fosse SÓ para isso, certamente teria muitos adeptos e o respeito de todos. Seria nobre. Mas no intuito de chocar, acabaram por degradar o ser feminino.
    E ao que consta, o índice de criminalidade não diminuiu nenhum pouco após o surgimento da passeata. O que a torna, um tanto quanto, fora de foco e ineficaz.
    Uma pena tanta energia empenhada por tão pouco resultado útil para a sociedade.

  4. Ótima reflexão, tema atual que permite um bom “gancho” para debater com a nossa querida Jufem.

  5. Ótimo texto e ótimo tema, parabéns pela iniciativa!

  6. Parabéns Luma pelo texto tão esclarecedor ainda mais se tratando de um assunto atual e polêmico.

  7. Além de bem redigido, o texto apresenta um tema que, desde o início da polêmica marcha, deveria ter sido tratado com mais delicadeza, com olhar mais crítico, mais ético, mais humano. Muito bonito ver uma integrante da jufem tratar o assunto com tanto discernimento e clareza. Parabéns!

  8. Acho muito importante para nós jufem, e além de tudo, mulheres nos posicionarmos nesta questão que está tão forte no cotidiano da sociedade. Na minha faculdade, nas aulas de sociologia houve uma discussão a respeito disto e algumas meninas foram na marcha e se manifestaram a favor disto, sem colocar o outro aspecto abordado pela Luma. Toda a sala bateu palma para as meninas, mas como eu jufem e também mulher deveria me posicionar diante de um tema tão forte como este? Na hora, sabia o que elas estavam defendendo, não era contra a questão, mas sim contra como elas se defendiam. Neste semestre provavelmente iremos voltar neste assunto, mas agora eu vou escolher este tema para abordar a questão, só que desta vez a sala vai ouvir sobre o olhar da juventude de schoenstatt e mostrar realmente como é o tabor. Pois, como diz a Luma: ” Distinção não é superioridade, é ser diferente sem se isolar, ser diferente para ser exemplo para as pessoas.”

  9. Parabéns pelo texto.
    Elas tentam “impor” respeito, se desrespeitando!

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