Medicina: Ver a face de Cristo nos pacientes

Convidamos uma ex-JUFEM, que é mãe e esposa, para dar testemunho da sua profissão como Médica Pediatra. Percebam como a vida dela foi sendo encaminhada pela Mãe de Deus e como Schoenstatt foi conquistando-a pouco a pouco:

Decidi ser médica aos 15 anos quando, pela escola, fui fazer um profissionalizante de análises clínicas na Faculdade de Medicina em Porto Alegre/RS, cidade onde eu morava. Encantei-me com o mundo das patologias, dos diagnósticos e do “avental branco”. A principal motivação da minha escolha pela Medicina foi poder ajudar as pessoas sem ter que ir atrás delas. Sendo médica, elas viriam a mim e minha timidez seria poupada. Aos poucos, em Schoenstatt, descobri um pouco mais… Minha identidade tem um número peculiar: 2014181818. E 18 de Outubro é também o dia do Médico (Dia de São Lucas). Portanto, ser médica para mim faz parte do meu sentido de vida, do meu Ideal Pessoal.

O vestibular foi uma batalha para uma jovem de escola pública, sem recursos para competir com os melhores alunos dos melhores colégios e dos cursinhos. Conheci Schoenstatt pela Ir. Neida Dotto, que reuniu um grupo de jovens para iniciar a JUFEM em Porto Alegre em 1978 e ali comecei minha caminhada neste Movimento que é, até hoje, a luz da minha vida. Com o Pe. Kentenich e a Mãe, passei no vestibular na UFRGS e em tantas outras dificuldades que me acompanharam na vida acadêmica. De “carola” isolada passei a ter um grupo da JUFEM na faculdade, com direito a cantos e grupo de oração na capela do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, com a Peregrina e o apostolado do ser em todas as oportunidades que se apresentavam. Nosso grupo na faculdade era conhecido como as “virgens”, mas respeitado, admirado e “cobiçado”, como viemos a descobrir depois de formadas.

Neste período, nos vinculamos muito à MTA no Santuário e tivemos formação com as Irmãs, os Sacerdotes (Pe. Steban Uriburu) e formamos amizades valiosas, como a Sônia Bortoluzzi (Soninha) e a Denise Moro, que me propiciaram o encontro com o Sr. João Pozzobom na fase de internacionalização da Campanha do Terço, hoje Mãe Peregrina. Estas influências nos blindaram das influências desumanizadoras e mecanicistas de um Hospital ético, mas ateu por excelência. Ser católica e abraçar as verdades da fé cristã com todas as suas implicações na vida profissional foi árduo, mas valioso. Precisamos buscar apoio e fundamentação fora da Universidade para, por exemplo, aprender o Método de Ovulação Billings, pois nossos professores se recusaram a nos ensinar. Conhecemos a CENPLAFAM, nos tornamos instrutoras e mais tarde, no matrimônio, usuárias.

Em 1988, casei com o Thomé Lovato, do JUMAS de Santa Maria/RS e fomos morar em Jaguari/RS, uma pequenina cidade, onde fundamos um internato agrícola e moramos por 7 anos. Lá, iniciei minha vida profissional longe do hospital e da “capital”. Entramos no primeiro curso da União das Famílias no Brasil e neste período nasceram nossos 3 primeiros filhos (Giovanni, Pietro e Tobias). Tentei ficar sem trabalhar como médica por 4 meses, foi o máximo que consegui. Sempre que nascia um filho eu diminuía o ritmo de trabalho, adaptava horários, diminua ganhos e ficava mais com o bebê. Aos poucos, fui me tornando, além de pediatra, mãe (e este aprendizado se prolonga até hoje). Ser mãe de seis filhos (depois, vieram a Maria Clara, o Lorenzo e a Mariana) aumentou e muito meu conhecimento das agruras e das alegrias de ser mãe e hoje consigo compartilhar isto com as mães de meus pacientes.

Foto familia

A Divina Providência escancarou as pistas para que eu trilhasse este caminho de Unidade (nosso ideal de família), Família fiel ao Pai (nosso Ideal de Curso) e mais recentemente Família Santa do Pai, Tabor para o mundo (Ideal da União de Famílias no Brasil), fazendo com que o trabalho do dia-a-dia tenha sempre um sentido além do comum, uma chance de realizar estes ideais e imprimir a face de Cristo no mundo. Ver a face de Cristo na sexagésima criança atendida numa emergência do SUS não é muito fácil, mas, pelo fiel e fidelíssimo cumprimento do dever, cada plantão me oferece múltiplas oportunidades de contribuir ao Capital de Graças. Ao tentar sempre fazer meu trabalho da melhor maneira possível, lembro-me das exigências (Documento de Fundação) no mais alto grau. “Esta santidade eu exijo de vós”, santidade das pequenas e grandes atitudes que são recompensadas nos sorrisos dos pequenos, nos seus carinhosos abraços e beijos e na atenção de suas mães.

Foto paciente

No consultório, a Homeopatia é um capítulo a parte, de muita realização, pelos ótimos resultados, pela oportunidade de poder ser médica olhando o paciente integralmente e poder ajudá-lo com outras alternativas, aliviando sofrimentos e promovendo saúde.

Bom, a Medicina e jaleco branco fazem parte de mim, assim como ser esposa, mãe, unionista, católica e Filha de Deus. Muitas vezes é difícil conciliar tudo isto, mas com as graças do Santuário e a Fidelidade à Aliança minhas fraquezas são supridas pela Bondade da Mãe que é Três Vezes Admirável e não se cansa de ouvir as minhas súplicas.

Com carinho,

Rosângela Marramarco Lovato

Outubro de 2014

1 Comentário em "Medicina: Ver a face de Cristo nos pacientes"

  1. Que lindo Tia Rô! Continue sendo esse exemplo de Jufem, mulher e esposa. Que Deus continue a derramar muitas graças sobre a tua vida!

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