Mundo Profissional – Direito

“Levai a sério os vossos propósitos”

(dedicado à minha irmã Michelle).

Foi com grande alegria que recebi o convite para escrever para a coluna Mundo profissional, especialmente por alcançar também as jovens que ainda estão decidindo que carreira optar num mundo com tantas possibilidades.

Desde a metade do ensino médio já havia decidido cursar Direito, com a vaga ideia (depois confirmada) de que não queria ser advogada. Almejava o funcionalismo público, a exemplo do pai e mãe servidores públicos. Neste pensar, não abordarei aqui as carreiras jurídicas – todos conhecem o chavão do “leque de oportunidades que o Direito abre” (juiz, promotor, delegado, analista, advogado, consultor, “escritor de Vademecum”, etc) -, mas, sim, abordarei o tema concurso público.

Eu sempre fui relativamente estudiosa, do tipo esforçada – mas que não ganhava estrelinhas vermelhas no canto superior direito da prova -, e assim foi durante a faculdade, tendo colado grau em 2006. Tinha 21 anos, passei na OAB, me tornei advogada (atuei raramente) e abracei minha nova profissão: concurseira. Fazia curso preparatório num turno e estudava nos outros dois. Contava com o apoio da família, tanto bancando os Códigos quanto levando suco enquanto eu memorizava (decorava, ok) a sopa de letrinhas. Dois anos depois, mais ou menos no 13o concurso realizado, eu fui aprovada, sendo nomeada logo em seguida. No finalzinho de 2008 tomei posse como Assessora Jurídica do Ministério Público/RS (cargo com atribuições junto ao Promotor dentro de uma Promotoria de Justiça – equivalente ao analista de outras instituições).

A distância entre o sonho e a realização só pode ser percorrida com foco e disciplina. Esses dois fatores não andam sozinhos, pois a fé a eles se une e os sustenta. Durante o tempo de estudo é comum a preguiça nos cegar e o medo nos paralisar. Medo do incerto, né, porque tem muitos candidatos por vaga e todos (todos!) tem acesso às mesmas leis e apostilas e audiobooks. Ninguém falou que ia ser fácil, confere? À toda vista, a confiança filial na Mãe é imprescindível. Confiança significa “com fé”; e fé é a resposta que damos ao plano de Cristo. Já a fidelidade é a resposta que damos ao que nos propomos; ou seja, me compromete. Para atingir uma meta precisamos ter fidelidade e comprometimento com nosso propósito – e isso perpassa a vida profissional, vocacional, matrimonial…

Ao jovem é custoso renunciar festas, amigos e viagens em prol de um concurso público que, no mais das vezes, sequer abriu edital. Haja capital de graças! É custoso lidar com parentes e vampiros emocionais que não compreendem a tua rotina e que, ironicamente, citam o Seu Madruga: “Não há nada mais trabalhoso do que viver sem trabalhar”. Das pedras do caminho, a menor.

E as renúncias diárias? É impressionante como assistir ao Jornal Nacional, tomar banho de piscina ou fazer supermercado ganham ares de novidade quando se passa muito tempo sem fazê-los. Será que essas e outras pequenas renúncias fazem parte do plano ousado do Pe. Kentenich? “Autoconhecimento e autoeducação para formar, por Maria, caracteres livres, firmes e sacerdotais”.

Falo pela minha experiência, que somente em atitude de pequenez e gratidão é possível sublimar as dificuldades e acreditar que somos capazes. Recordo que peguei na internet uma novena da Mater Ter Admirabilis e fazia reiteradamente pedindo serenidade nos estudos e, com o passar dos meses, senti o conhecimento crescer em progressão geométrica, até que obtive êxito. À luz do “Nada sem vós, nada sem nós”, reconheci que a fé moveu meus passos e a Mãe cuidou perfeitamente de tudo.

(…)

Pois bem. Minha família sempre foi devota da Mãe e Rainha Três Vezes Admirável de Schoenstatt, todavia ignorávamos a existência de um Movimento Apostólico tão especial e consolidado. Contudo, eu queria mais e, movida por um anseio que mais tarde traduzi como resposta ao chamado da Mãe, fui participar de um encontro da JUFEM Santa Maria-RS. Selei a Aliança de Amor em julho de 2009 e, desde então, me tornei um “santuário-coração”.

(…)

Em que pese galgar um cargo de nível superior, com estabilidade e capaz de oferecer uma vida confortável, é natural questionar-se “estou sendo bom instrumento a serviço de Deus?” ou “meu papel social é alcançado quando elaboro pareceres jurídicos em processos cíveis, criminais, ambientais etc”? De certa forma a dúvida é motivadora para ir além-mar. E, em verdade vos digo, diferentemente de jovens que, sendo médicos ou advogados fervorosos, exclamam ”não me imagino fazendo outra coisa”, eu, sim, me vejo fazendo tantas outras coisas. Com 27 anos, minha noção de tempo é larga e as ideias pipocam sem limite: aprecio (paradoxalmente?!) a carreira policial, artística, literária, e isso não me faz menos autêntica. Quem sabe presto concurso novamente e esse texto “motivacional” servirá de chapéu na minha própria cabeça? Vai saber…

Às que esperavam um texto sobre Direito, desculpa decepcionar, mas – “do alto da minha experiência’’ – a vida é beeem mais complexa do que uma faculdade pode supor. Enfim. Eu tenho para mim que, se somos o barro nas mãos do Oleiro, com humildade e aceitação podemos desempenhar diversos papéis e atividades, não acham? A Fé prática na Divina Providência está aí para ajudar-nos a reconhecer nossos dons e, se preciso for, ajustar as velas e velejar noutras bandas. Sem medo de ser feliz. Nas palavras do nosso Pai e Fundador: “Devemos habituar-nos a ver as mínimas coisas de cada dia como desejo, dom e chamado de amor do Pai eterno que espera a nossa resposta de amor“.

Camilla Caetano

Santa Maria – RS

camillabritescaetano@hotmail.com

11 Comentários em "Mundo Profissional – Direito"

  1. Camila, parbéns pela trajetória de estudos. Tens uma grande fã em casa, que é tua irmã, fui colega dela na fadisma. Tenho certeza que em breve ela alcançá o objetivo dela também. Bj e sucesso pra vcs.

  2. Que lindo teu testemunho, Camilla! Sempre é bom sabermos que cada profissão e caminho escolhidos têm seus desafios e renúncias. Que bonito conhecer a tua vivência de filialidade e confiança em Deus e na Mãezinha!

  3. Camilla, gostei muito do seu testemunho de perseverança e confiança na Mãe de Deus para que conseguisse obter êxito!
    Que seu exemplo possa impulsionar muitas jovens da Jufem a lutarem pela conquista da profissão, independente da qual for, tendo a certeza que a Mãe de Deus e o bom Deus sempre estão juntos às suas filhas lírio!

  4. Como tudo que essa menina-mulher escreve… texto impecável!
    Eu conheço tua trajetória e sei o quanto me inspirei na tua perseverança, coragem e disciplina! Saudades de conviver contigo!

  5. Camila querida, ao ler teu texto tenho mais certeza ainda de que já sabes a resposta que estás procurando! Toma tua cruz e vai!

  6. Juraci Da Silva Martins | 15 de março de 2012 at 0:34 | Responder

    Olá Camila! A tua mensagem me encheu de orgulho, esperança e gratidão a Deus, por tua vida, pelo exemplo de sabedoria e fé que nos repassa e nos proporciona um conforto em saber que és, sem dúvidas, um instrumento nas mãos do Criador para que com teu exemplo muitos jovens se encontrem na vida e tomem consciência de suas responsabilidades, agora e especialmente, no futuro de nosso planeta.
    Com certeza és iluminada por Deus protegida pela Mãe Rainha!
    Parabéns para ti, para teus pais e mana Micheli!
    Um beijo e um abraço! Juraci Martins e família.

  7. Parabéns Camila! Texto maravilhoso e impecavel. Quem me enviou foi tua mãe coruja….Não podia estar mais orgulhosa da filhota. Adorei, é um grande incentivo para quem quer passar em concursos, e o importante como tu disse! Não sair do foco e das metas…. Parabéns Camila tres vezes admiravel……..

  8. Michelle Brites Caetano | 16 de março de 2012 at 13:58 | Responder

    Minha amada irmã, obrigada pela “dedicatória” do teu artigo… São essas pequenas coisas que me dão mais força para seguir estudando!! =) Que a Mãe Rainha siga sempre nos guiando!! Te amo!!

  9. Que linda sua experiência, estou concluindo o curso de Direito este ano e dediquei meu TCC a Mãe de Deus, a qual sempre consagrei minha vida acadêmica! Parabéns, Unidas pelo Ideal!

  10. saiba que não estás sozinha e gostaria muito que fossemos em maior número. dar testemunho com a própria vida, mostrar sem medo o abandono a Deus pelas mãos de Maria. fazer sempre a vontade do Pai e refletindo nesta atitude, surge a função social e o amor cristão. paz e bem.

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