Saúde e Valores femininos!

Todo medicamento tem a chance de causar efeitos indesejáveis no nosso corpo. Imaginem um combinado de hormônios femininos. Além disto, hormônios iguais aos que normalmente regulam nossas funções reprodutivas e estão em níveis oscilantes no nosso organismo. Entretanto, os dos anticoncepcionais estão em doses maiores ou menores que o normal e sua dosagem tem como objetivo deixar a mulher que o recebe hormonalmente estável. Porém, uma das grandes características da mulher fértil e normal é esta oscilação: de humor, de sensações, de disposição e vitalidade. O que pode ser visto como uma vantagem, ou seja, a ausência de mudanças, é, na verdade, anti – natural e não deixa com que a mulher aprenda a lidar com estas mudanças. Ela não pode observar as mudanças que ocorrem no seu aparelho reprodutor, no colo uterino, como a produção de muco cervical, como sinal preditivo de ovulação, por exemplo. Além disso, os anticoncepcionais têm uma lista imensa de contra-indicações, e a maioria das mulheres nem pensa nisto, submetem – se a riscos altos de adoecerem; derrame cerebral, embolia, varizes, pressão alta, são alguns dos eventos que podem acontecer. Mulheres fumantes, acima de 35 anos, com antecedentes de câncer na família, jamais poderiam usar anticoncepcionais.

Por sua vez, as implicações morais são relevantes, já que a Igreja católica desaprova seu uso como anticoncepcional, ou seja, para impedir a concepção. O ato conjugal, sexual, tem duas finalidades: a unitiva, que é a de unir da maneira mais profunda o casal, e a procriativa, que é a de gerar novas vidas.  Não se pode separar estes dois sentidos, isto implica em “desconfigurar” o ato conjugal. Outra implicação moral é a de que a pílula atualmente pode ser um método abortivo, já que pela diminuição das doses de hormônios, esta já não impede mais a ovulação e, sim a nidação da célula ovo já fertilizada. Ou seja, a mulher ovula, libera o óvulo para a tuba uterina e ali, este está pronto para ser fecundado. Se isto acontecer, o embrião vai até o útero e tenta se fixar no endométrio (camada que reveste o útero por dentro). A pílula altera esta camada e o embrião não consegue se fixar ali já que ele se tornou inabitável. A célula – ovo, embrião, morre então, configurando um aborto. Se a mulher não quiser se “arriscar” a fazer este aborto, além da pílula deveria usar outros métodos que garantissem que não houve fecundação, sendo o que o único 100% garantido é a abstinência de relações sexuais no período fértil.

Enfim, a pílula anticoncepcional está muito longe de ser aquilo que “salvaria” as mulheres de inúmeros problemas, mas sim é um recurso limitado ética e moralmente ao ser usado pelas mulheres autenticamente católicas.

 

Dra. Rosângela Marramarco Lovato

União de Famílias – Santa Maria

2 Comentários em "Saúde e Valores femininos!"

  1. Gostei bastante do texto, mas fiquei com uma dúvida. E nos casos cuja prescrição do anticoncepcional é indicado para tratamento de síndrome do ovário policístico, por exemplo? Nessa situação o uso é permitido? Muito obrigada!

  2. Rosangela Marramarco Lovato | 3 de novembro de 2015 at 1:10 | Responder

    Yara, a sindrome do ovário policístico por si só já diminui e muito a fertilidade feminina, portanto não haveria necessidade de usá-lo neste caso , se fosse pelo efeito anticoncepcional. Depende por que que isto está sendo “tratado” ? Se é pelos sintomas, teriamos que ver quais são eles e se realmente é necessário o uso do anticoncepcional para amenizá-los. Existem outras possibilidades de tratamento atualmente. Quanto a ser permitido, se o uso é pelo efeito anticoncepcional, continua não sendo lícito o seu uso. Se é por tratamento, o uso é bem curto e limitado.

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