Sempre Jufem – Ser Jufem quando Schoenstatt era proibido….você pode imaginar?

 

Pertenci à Juventude de Schoenstatt de meados de 1956 até início de 1960.

Era na época em que nosso Pai e Fundador, o Pe. José Kentenich, estava exilado nos Estados Unidos. O Movimento aqui em Santa Maria-RS, bem como em Londrina/PR tinha sido proibido. Não era permitido fazer encontros, reuniões, qualquer tipo de atividade em nome do Movimento. Até o Santíssimo tinha sido retirado por um tempo do Santuário. Era uma situação difícil, de muito sofrimento para os filhos de Schoenstatt, que se propuseram permanecer fieis à Aliança de Amor. Aqui em Santa Maria, só permaneceram 2 grupos femininos: o das Filhas Triumphatriz e o das Pequenas Marias, do qual eu participava. Éramos em 6 jovens. Nós nos reuníamos clandestinamente para nossas reuniões, que eram normalmente semanais. Ir. M. Teresinha orientava nosso grupo e nos estimulava a uma grande e heroica aspiração ao nosso ideal, o que fazia muitas vezes só por correspondência.

Nas reuniões e encontros, debatíamos principalmente temas sobre a Mãe, o Santuário, a dignidade feminina, a missão da mulher, como ser uma pequena Maria no ambiente em que vivíamos, na família, colégio. Algo que nos animava muito era o empenho pela volta do Pe. Kentenich do exílio e que o Movimento pudesse ter novamente sua plena liberdade de existência. Nada nos era difícil, pois tudo era colocado no Capital de Graças pelos grandes objetivos que queríamos pela frente. As reuniões, as visitas que fazíamos umas às outras, o contato com o grupo das Filhas Triunphatrix mantinham sempre acesa a chama de nosso ideal de ser uma Pequena Maria. Não recordo mais quanto tempo fui dirigente de nosso grupo.

Algo inesquecível, que muito marcou o grupo e a mim pessoalmente, foram as muitas noites de vigília que fazíamos no Santuário, quando o Santíssimo já tinha sido trazido de volta. Eram realizadas com o objetivo de trazer o Pai e Fundador de volta do exílio e pela liberdade do Movimento. Para facilitar a participação dormíamos na Casa de Retiros. Com muito cuidado, sem fazer barulho, para que ninguém nos visse ou ouvisse, nos levantávamos na hora que havíamos reservado e íamos fazer adoração ao Santíssimo, no Santuário, junto a nossa Mãe. Foram momentos muito fortes, onde buscamos forças para permanecermos fiéis ao nosso ideal da Juventude de Schoenstatt. Sempre recordo, do que um jovem do grupo da Juventude Masculina de Schoenstatt, contou, que durante as vigílias, para espairecer o sono, ele caminhava no corredor do Santuário, mas sem dar as costas para Jesus, para expressar seu respeito e adoração. Na ocasião achava isto o máximo daqueles jovens.

O que mais ficou gravado em mim do tempo que participei da Juventude Feminina, é o quanto nós naquele tempo de proibições do Movimento, vivíamos tomadas de um santo orgulho de participarmos da Juventude Feminina de Schoenstatt, de sermos escolhidas como instrumentos da Mãe, para ajudá-la a levar avante sua Obra, para que não perecesse. Queríamos contribuir muito para o Capital de Graças, a fim de que nosso Pai e Fundador fosse libertado, o mais breve possível do exílio.

Na época eu cursava o magistério, na Escola Olavo Bilac de Santa Maria. Quase no fim do curso, comecei a refletir mais sobre a minha vocação. Uma coisa estava clara diante de mim: queria trabalhar pelo Movimento de Schoenstatt e levar a muitas pessoas as mensagens tão belas e profundas que recebíamos nas reuniões e encontros. Depois de muito rezar e lutar interiormente, para descobrir o plano de Deus a meu respeito, cheguei a conclusão de que Ele me chamava para a vida consagrada celibatária. Decidi entrar no Instituto das Irmãs de Maria de Schoenstatt, no ano de 1960. Durante 35 anos de minha vida de Irmã de Maria, trabalhei diretamente com grupos de apóstolas, jovens, mães, casais do Movimento e na Campanha da Mãe Peregrina. Trabalho que fiz sempre com muita alegria, onde me senti muito realizada. Especialmente senti-me muito feliz, quando comecei os círculos da Aliança, pelo ano de 1991, em Porto Alegre, e preparei muitas pessoas para selar a Aliança de Amor.

Pude também acompanhar 8 peregrinações a Schoenstatt, e a muitos outros lugares sagrados da Europa e Terra Santa.

Atualmente sou responsável pelo Secretariado da Causa de Canonização do Pe. Kentenich e de Irmã M. Emilie, aqui em Santa Maria. Sinto-me muito contente em poder ajudar nosso Pai e Fundador e Ir. Emílie chegarem à honra dos altares.

Concluindo posso testemunhar, que me sinto muito feliz por pertencer a esta Família de Schoenstatt, que desde minha juventude, alimentou grandes ideais em meu coração. e que me conduziu a uma realização feliz da minha vocação. .

Sou imensamente grata a Deus, à Mãe e Rainha, ao Pai e Fundador e ao Instituto das Irmãs de Maria, pela minha vida tão feliz e abençoada.

Ir. M. Raquel Mainardi

 

2 Comentários em "Sempre Jufem – Ser Jufem quando Schoenstatt era proibido….você pode imaginar?"

  1. Miriam Maria Bueno | 3 de julho de 2015 at 18:57 | Responder

    Que lindo testemunho Irmã Raquel! O que seria de nós sem tantas vidas que disseram Sim ao Santuário ? Que nossa Jufem tenha força e coragem para assumir e viver o Ideal de ser Lírio do Pai nos dias atuais! Faça-se a Pequena Maria!

  2. Ir. M. Rosangela | 3 de julho de 2015 at 20:47 | Responder

    Lindo testemunho de fidelidade. Ir. M. Raquel, muito obrigada por partilhar esta riqueza com a geração jubilar da Jufem. Fazes parte desta história!

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