Tríduo Pascal

Querida Juventude Feminina de Schoenstatt!

A Semana Santa, a grande e santa semana na vida de Cristo é um chamado a refletir sobre o infinito amor de Deus. Jesus não somente se tornou homem, mas ofereceu-se a si mesmo como preço de resgate pela salvação da humanidade. Por isso, São Paulo não se cansa de exclamar: “Ele me amou e se entregou por mim!” (Gal 2,20). Ele sofreu e pagou pelos pecados dos homens, humilhou-se a si mesmo.

Iniciamos hoje o tríduo pascal, em que celebramos a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. A Quinta-feira Santa nos recorda a última ceia do Senhor com os Apóstolos. Todos os momentos desta Última Ceia refletem a majestade de Jesus, que sabe que morrerá no dia seguinte, como também seu grande amor e ternura por nós. A Páscoa era a principal festa judaica e fora instituída para comemorar a libertação do povo Judeu da escravidão do Egito. Todos os Judeus têm obrigação de celebrar esta festa para manter viva a memória do seu nascimento como povo de Deus.

A Última Ceia começa com o pôr do sol. São João nos diz que Jesus desejava ardentemente comer esta Páscoa com seus discípulos. Nela, ele dá o exemplo surpreendente de humildade e de serviço quando se ajoelha e executa uma tarefa que se deixava aos menores servos: “Começou a lavar os pés”; o amor e a ternura que manifesta pelos seus discípulos: “Filhinhos meus”… O próprio Senhor quis dar tal plenitude de significado, tal riqueza de recordações, de palavras e sentimentos, tal novidade de atos e preceitos, que nunca acabaremos de meditá-los e explorá-los.

O Senhor antecipa de forma sacramental o sacrifício que consumará no dia seguinte no Calvário. Agora o cordeiro imolado é o próprio Cristo: “Esta é a nova aliança no meu sangue”… O corpo de Cristo é o novo banquete que congrega todos os irmãos: “Tomai e comei”… Imolação e oferenda de si próprio, como Cordeiro sacrificado, o Senhor inaugura nova e definitiva aliança entre Deus e os homens e com ela redime a todos da escravidão do pecado e da morte eterna.

Jesus nos dá a si mesmo na Eucaristia para nos fortalecer em nossa fraqueza, para nos acompanhar em nossa solidão e como antecipação do céu. Que presente de sua misericórdia! Jesus quer ficar para sempre perto de nós, dentro de nós, por isso pensa num modo para que isso se torne realidade: a Eucaristia. Jesus se esconde no pão, assume a forma de pão. Que mistério imenso! Quanto amor existe em Jesus para querer ser nosso alimento!

Ele é o mesmo no Cenáculo e no sacrário. Nós, nesta tarde, quando formos adorá-lo também nos encontraremos novamente com Ele. Ele nos vê e nos reconhece, nos chama pelo nome: Lírio do Pai… Poderemos falar-lhe e, como faziam os apóstolos, contar dos nossos sonhos e das nossas preocupações e agradecer-lhe por permanecer conosco. Queremos permanecer com Ele, pois foi isso que pediu aos Apóstolos naquela noite: “Ficai aqui e vigiai comigo”. Ou seja, Jesus queria companhia, naquela hora de angústia. Queremos, então, acompanhá-lo em sua entrega de amor e unir a Ele as nossas pequenas e grandes “entregas”. Jesus sempre nos espera no sacrário.

Outro presente da misericórdia de Jesus: os sacerdotes são seus representantes na terra, são o seu espelho. Mesmo com falhas humanas, mesmo aqueles que se desviaram do caminho, os sacerdotes são ungidos para trazerem ao mundo o pão do céu.

Nesta quinta-feira santa podemos perguntar-nos se, nos ambientes em que vivemos, as pessoas sabem que somos discípulas de Cristo pela forma amável, compreensiva e acolhedora com que as tratamos. Podemos perguntar-nos se procuramos não cometer faltas contra a caridade por pensamentos, palavras ou atos; se sabemos pedir desculpas quando tratamos mal a alguém; se temos manifestações de carinho com os que estão ao nosso lado: atenção, delicadeza, palavras animadoras, correção fraterna quando for necessário, o sorriso habitual e o bom humor, serviços que prestamos, preocupação verdadeira pelos problemas dos outros, pequenas ajudas que passam despercebidas…

Agora que está já tão próxima a Paixão do Senhor, recordamos a entrega de Maria no cumprimento da vontade de Deus e no serviço dos outros. A imensa caridade de Maria pela humanidade faz com que também nela se cumpra a afirmação de Cristo: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos”.

Texto baseado no livro Falar com Deus, Francisco Fernandes Carjaval, Ed. Quadrante.

Toda a vida de Jesus está orientada para o momento supremo que vivenciamos na Sexta-feira Santa. Com muito custo, Ele consegue chegar ofegante e exausto ao cimo daquela pequena Colina chamada “Lugar da Caveira”. A seguir, estendem-no no chão e começam a pregá-lo no madeiro. Introduzem primeiro os ferros nas mãos. Depois é levantado até ficar erguido sobre a trave vertical fixada no chão. Por fim pregam seus pés. Maria, a Mãe, contempla a cena.

O Senhor está firmemente pregado na cruz. Tinha esperado por ela durante muitos anos e, naquele dia, cumpria-se o seu desejo de redimir os homens. Aquilo que até então tinha sido um instrumento infame converte-se em árvore da vida e escada para o céu. Jesus, ao estender os braços sobre a cruz, diz silenciosamente que terá sempre os braços abertos para os pecadores que dele se aproximarem. Jesus, na cruz, é nosso grande amor!

Tudo o que Jesus padeceu é o preço do nosso resgate. Valemos o sangue precioso de Cristo! Jesus tinha medo dessa hora, até pediu que, se possível, o Pai afastasse dele este cálice de dor, mas sua atitude de filho obediente, que ama o Pai, é um ato supremo de liberdade interior: Pai, que não se faça a minha vontade, mas a tua! Jesus não se contentou em sofrer alguma coisa: quis esgotar o cálice para que aprendêssemos a grandeza do seu amor e a baixeza do pecado; para que fôssemos generosos na entrega, na obediência à vontade do Pai.

Na cruz se consuma a nossa redenção, aqui a dor do mundo e a nossa própria dor encontram o seu sentido, encontram respostas. Não permaneçamos indiferentes diante de um crucifixo! O que ele me diz? O que não posso suportar quando vejo o que Jesus sofreu por mim? Diante da cruz, encontramos forças para carregarmos os sofrimentos que Deus permite em nossa vida. Se abraçarmos a nossa cruz e unirmos nossas dores à imensa dor de Jesus, elas terão um valor infinito. Às vezes reclamamos por coisas tão pequenas, mas os contratempos servem para termos ocasião de sofrer um pouco com Jesus.

A eficácia da Paixão não tem fim. Vem inundando constantemente o mundo de paz, de graça, de perdão, de felicidade, de salvação. A redenção realizada uma vez por Cristo aplica-se a cada pessoa, com a cooperação da sua liberdade. Cada uma de nós pode dizer de verdade: O Filho de Deus me amou e se entregou por mim. Não “por nós”, de modo genérico, mas por mim, como se eu fosse a única que existisse no mundo.

Ninguém morreu como Jesus, porque ele é a própria Vida. Ninguém expiou o pecado como Ele, porque ele é a própria Pureza. Nós recebemos agora os frutos daquele amor de Jesus na cruz. Só o nosso fechamento e dureza de coração podem tornar vã a Paixão de Cristo.

Jesus, depois de dar-se na Última Ceia, dá-nos agora o que mais ama na terra, o que lhe resta de mais precioso: sua própria mãe. Despojaram-no de tudo e Ele nos dá Maria como nossa Mãe. Com Maria, nossa Mãe, será mais fácil conseguir amar e abraçar a cruz.

Nesta hora da imensa misericórdia de Deus, unamo-nos a Jesus e ofereçamos, neste dia, o nosso silêncio, nossa oração, nosso jejum consciente, para que nele, nos convertamos um pouco mais. Como Lírios do Pai, permaneçamos silenciosas ao lado de Jesus e supliquemos a graça de entendermos profundamente o que o sofrimento de Jesus significa em nossa vida.

Encerrando a sexta-feira, iniciamos o Sábado Santo, Aquele que jaz no sepulcro, há de ressuscitar! A expectativa aumenta em nosso coração quando iniciamos o sábado, falta pouco para Jesus ressuscitar, nova alegria preenche o nosso coração. Neste dia percebemos algo novo, ainda sentimos com Jesus a dor da morte, porém não mais da mesma forma, a dor se transforma em alegria pela vida que Jesus faz brotar em nós.

A Vigília Pascal é o centro e o núcleo do mistério pascal de Cristo e dos cristãos, e, por isso, de todo o Ano Litúrgico. Toda a Quaresma deve tender para ela, e o Aleluia que nela cantamos ressoa sem interrupção até Pentecostes. Todos os domingos do ano nela se inspiram.

A bênção do fogo novo simboliza a vida nova que surge com a ressurreição de Jesus. A Igreja toda escura, sem a presença do Santíssimo significa que sem Jesus não existe nada, nem luz, nem vida, nem comunidade, nem alegria. A bênção do fogo e do círio pascal, que representa o Cristo Ressuscitado, nos falam que Cristo é a própria luz e “quem o segue não anda nas trevas mas terá a luz da vida”!

Cada Páscoa é um marco de renovação da comunidade, fonte de vida, um verdadeiro renascer. É a maior festa dos cristãos, por isso, em nossos corações precisa reinar alegria, vitória, pois Cristo ressuscitou e venceu a dor, o mal, o pecado. Nele seremos sempre vitoriosos!

A Vigília da Páscoa não pode passar despercebida para um cristão consciente, para uma Jufem. A Missa do Domingo da Páscoa será para nós apenas um complemento do que vivenciamos na grande Vigília.

A Rainha da Luz nos acompanha, e com o Salvador nos concede a verdadeira alegria, a certeza de que pertencemos a Cristo! Que Ela nos ajude a vivermos este tríduo pascal na certeza de que ressuscitaremos com Jesus!

Seja o primeiro a comentar em "Tríduo Pascal"

Deixe seu comentário

Seu email não será publicado.


*